domingo, 6 de novembro de 2011

CACOS - Antonio Morais de Carvalho

Que são palavras
a não ser cacos
do real (esse caos:
o vir-a-ser linguagem)?


E o poema: um cacto
espetando o caos:
colagem de cacos:
o ser da linguagem.

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Título: Cacos
Autor: Antonio Morais de Carvalho

Poema originalmente publicado no livro Jogo de sentidos (1986)




3 comentários:

  1. Cifrado e competente perquirição ontológica
    do ser da poesia pelo viés da metalinguagem,
    tão recorrente na poesia ocidental do último
    meio século.
    Além de poeta talentoso, com acentuado apelo
    minimalista, Antonio Morais de Carvalho é também
    vertical leitor e crítico de poesia. Pena que seja
    igualmente avesso à publicidade de seus textos.
    Evoé, meu caro irmão e bruxo de "Jogos de Sentidos"!
    Ainda estamos vivos?

    NB. Caro Weslei, só no intuito de preservar o vero verbo
    (e tenho em mãos aqui o original em livro), no primeiro verso
    aparece "palvras", e não "palavras" como na edição original.
    Portanto não trata-se de grafia adrede. Desculpe o navegador cricri.
    Mas, poeta que também és, deves entender o tom da achega.



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  2. Problema alguma, caro Assunção. Muito obrigado pela verificação!

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