sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ANTE O CADÁVER DE CRUZ E SOUZA - Carlos Dias Fernandes



Ah! Que eterno poder maravilhoso
Era esse que o corpo te animava,
E que a tu’alma límpida vibrava
Como um plangente carrilhão mavioso?

Que sol ardente, que fecunda lava,
Que secreto clarão, mago e radioso,
Dentro em teu ser, como um vulcão raivoso,
Eternamente em convulsões estuava?...

Que anjos celestes, cândidos e graves,
Faziam de teu ser floridas naves,
Cheios de augustos cânticos eternos?

Que mão foi essa, lívida e gelada,
Que sufocou tu’alma, acriolada
Na tortura de todos os infernos?!...

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Título: Ante o cadáver de Cruz e Souza
Autor: Carlos Dias Fernandes

Poema retirado do livro Autores paraibanos - poesia (Grafset, 2005)


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