sexta-feira, 19 de outubro de 2012

VOZES DE UM TÚMULO - Augusto dos Anjos



Morri! E a terra – a mãe comum – o brilho
Destes meus olhos apagou!... Assim
Tântalo, aos reais convivas, num festim,
Serviu as carnes do seu próprio filho!

Por que para este cemitério vim?!
Por quê?! Antes da vida o augusto filho
Palmilhasse, do que este que palmilho
E que me assombra, porque não tem fim!

No ardor do sonho que o fronema exalta
Construí de orgulho ênea pirâmide alta...
Hoje, porém, que desmoronou

A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que apenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!



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Título: Vozes de um túmulo 
Autor: Augusto dos Anjos 

Poema retirado do livro Eu (Editora Universitária UFPB, 2003)

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