sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O PESO DO VAZIO - Jomar Morais Souto


Carrega-o esta noite como a barca
ao nauta triste sem destino algum.
Velame branco e imóvel faz-se a marca
desse minguante assim sem fim nenhum...

E enquanto o nauta triste a noite embarca,
é trágico de beijos o jejum.
E é desencanto a vida e a morte parca
para um que assim é sempre e sempre um.

Procura sem saber onde encontrar.
E âncoras levanta enferrujadas,
ignorando o porto e o próprio mar.

Está sozinho. E é noite. E sente frio.
E sabe que milhões de toneladas
não pesam mais que o peso do vazio.


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Título: O peso do vazio
Autor: Jomar Morais Souto

Poema originalmente publicado no livro Agrarianas e outros poemas escolhidos (Ars Poetica, 1996)

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