terça-feira, 20 de novembro de 2012

PARA UM POETA - Weslley Barbosa


(mas ao meu jeito)

Rio sem água
é poeta sem palavra
cessado o jorro da límpida correnteza
retesa a língua
enguiça a goela
empaca a pena.
Resta a pedra, palavra
solta
pedregulho, verborragia.
Poeta seco
só encontra pedras
perdido o rumo
des-curso ao léu.
Somente as pedras
presas na língua
somente as pedras,
perdidas no caminho
somente pedras no caminho
e o poeta fatigado
segue vagaroso e de mãos pensas
avaliando...
Ora, mas não era pra Drummond o poema!!!


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Título: Para um poeta (mas ao meu jeito)
Autor: Weslley Barbosa

Poema publicado originalmente no livro Suspiros Mal-ditos (Ixtlan, 2010)viagens e turismo


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O QUE FAZ DE UM POEMA A SORTE? - Antonio Morais de Carvalho


seiva de grupos no açoite
sangue de corpos nus na noite
selva de signos sem norte
chamas no templo, na corte
angústia de ser à contra-sorte
tudo nada tempo morte?

ou palavra, palavra,
o mais profundo corte?

a palavra-certa corta a sorte?
a palavra-forte enforca o açoite?
a palavra-norte arde a corte?
a palavra-bote vara a noite?
a palavra-arte rompe a morte?


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Título: Um lance de dados
Autor: Antonio Morais de Carvalho

Poema originalmente publicado no livro Jogo de sentidos (1986)


O MENINO QUE SONHAVA - Ronaldo Cunha Lima


O menino que sonhava
fazia versos, brincava
contando estrelas, cresceu.

           O homem que foi menino
           sem ligar ao seu destino
           do menino se esqueceu.

                       Criou a sua paisagem
                       bem diferente da imagem
                       que sua infância viveu.

                                   Quando o homem quis amar,
                                   sentindo algo faltar
                                   à infância recorreu,

                                          mas nela nada encontrava.
                                          O menino que sonhava
                                          Dentro do homem, morreu.


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Título: O menino que sonhava
Autor: Ronaldo Cunha Lima

Poema originalmente publicado na obra Azul itinerante (2006)