quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

LÁGRIMAS DE CERA - Raul Machado


Quando Estela morreu, choravam tanto!
Chovia tanto nessa madrugada!
- E era o pranto dos seus casado ao pranto
- Da natureza - mãe desventurada!

Ninguém podia ver-lhe o rosto santo,
A fronte nívea, a pálpebra cerrada,
Que não sentisse, logo, em cada canto
Dos olhos, uma lágrima engastada!

Ai! não credes, bem sei, porque não vistes!
Mas quando ela morreu, chorava tudo!
Até dois círios, lânguidos e tristes,

Que aflita mão piedosa lhe acendera,
Iam chorando, no seu pranto mudo, 
Um rosário de lágrimas de cera!

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Título: Lágrimas de cera
Autor: Raul Machado

Poema retirado da obra Autores paraibanos: poesia (Grafset, 2005)

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