quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

DESENCANTO - MANUEL BANDEIRA


Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.


– Eu faço versos como quem morre.

Teresópolis, 1912

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Título: Desencanto
Autor: Manuel Bandeira (1886 – 1968)
Naturalidade: Recife - PE
Obra: Antologia poética (Nova Fronteira - 2001)

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