segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

INANIA VERBA - OLAVO BILAC


Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava, 
O que a boca não diz, o que a mão não escreve? 
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve, 
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava... 

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava: 
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve... 
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve, 
Que, perfume e clarão, refulgia e voava. 

Quem o molde achará para a expressão de tudo? 
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas 
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta? 

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo? 
E as palavras de fé que nunca foram ditas? 
E as confissões de amor que morrem na garganta?!

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Título: Inania verba
Autor: Olavo Bilac (1865 – 1918)
Naturalidade: Rio de Janeiro - RJ
Obra: Antologia: poesias (Martin Claret - 2002)

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