segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SONHO - OLAVO BILAC



Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade 
Solto para onde estás, e fico de ti perto! 
Como, depois do sonho, é triste a realidade! 
Como tudo, sem ti, fica depois deserto! 

Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça. 
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma: 
De cada estrela de ouro um anjo se debruça, 
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma. 

Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado. 
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa. 
E, como sobre um leito um alvo cortinado, 
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa. 

Porém, subitamente, um relâmpago corta 
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta 
E, sorrindo, serena, aparecer à porta, 
Como numa moldura a imagem de uma Santa... 

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Título: Sonho
Autor: Olavo Bilac (1865 – 1918)
Naturalidade: Rio de Janeiro - RJ
Obra: Antologia: poesias (Martin Claret - 2002)

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