terça-feira, 3 de janeiro de 2017

TABATINGUERA - MÁRIO DE ANDRADE


Mas a taba cresceu... Tigueras agressivas,
Pra trás! Agora o asfalto anda em Tabatinguera.
Mal se esgueira um pajé entre locomotivas
E o forde assusta os manes lentos do Anhanguera.

Anhangá fantasmal, feito de tabatinga
Guincha, entrou pelo chão como o Anhangabaú.
E a alvura se tornou cimento-armado, é cinza,
Tinge a garoa Borba Gato Engaguaçu...

Nada de ajuntamento! Os polícias dirigem
O “Circulez”. Meu Deus! É a marquesa de Santos!
Está pálida... O olhar fuzilando coragem
Faísca da cadeirinha atapetada de anjos.

Segue pra forca da Tabatinguera. Lento
O cortejo acompanha a rubra cadeirinha
Pro Ipiranga. Será que em tão pequeno assento
A marquesa botou sua imperial bundinha!...


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Título: Tabatinguera
Autor: Mário de Andrade (1893 – 1945)
Naturalidade: São Paulo - SP
Obra: Melhores poemas (Global - 2003)

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